Quem hoje, após um longo passeio de bicicleta, não teve formigamento no períneo, desconforto ao urinar ou dormência nos genitais?

Não há estudos comparativos conclusivos que confirmem que os ciclistas estejam condenados à disfunção erétil, mas a verdade é que existe um mecanismo traumático porque ao andar na sela, esta exerce uma pressão sobre os nervos e vasos sanguíneos da virilha que inervam e nutrem os genitais.

Essas estruturas são comprimidas quando nos sentamos na sela, o grau de compressão será maior ou menor dependendo da nossa posição e do tipo de sela. Todo o peso do corpo recai sobre as tuberosidades isquiáticas e, entre elas e a sela, se comprimem os nervos e vasos sanguíneos que vão para a área genital.

Disfunção erétil bicicleta tem relação mesmo?

Muitos têm sido os estudos que ligaram isso com disfunção eréctil, mas todos têm sido estudos observacionais em que temos visto no grupo de pacientes com problemas de ereção. Eles têm uma porcentagem significativa entre os fãs de ciclismo que abusam do esporte.

Tem sido uma questão muito controversa, em 1997, uma equipe de pesquisadores noruegueses estudou um grupo de ciclistas num grande teste de resistência típica daquele país que corre 540 km e viu que 25% dos 260 entrevistados tinham quaisquer problemas na região genital (como dormência do pênis) após a corrida e 13% de impotência que durou uma semana. Por esse motivo, nas consultas de andrologia, o ciclismo já é considerado um dos possíveis fatores de risco.

No entanto outro estudo epidemiológico americano publicado no Jornal Internacional de Pesquisa sobre impotência mostraram que: 21% da população normal tinha problemas de ereção, 11% de ciclistas moderados (menos de 3 horas por semana) e 17% os ciclistas esportistas. Entretanto, observou-se que no primeiro grupo havia mais fumantes e diabéticos, dois fatores de risco conhecidos dessa patologia.

Em nosso país, em 2006, o Departamento de Urologia do Hospital Universitário Parc Tauli, em Sabadell, realizou um estudo em uma corrida de fundos de ciclismo conhecida por todos: La Quebrantahuesos. Foram entrevistados 907 ciclistas com vários questionários para conhecer o grau de disfunção sexual que poderia estar associado a esse grupo.

A 65,05% não apresentava problemas de ereção, 29,66% eram leves, 4,63% moderados e apenas 0,66% graves. A idade média dos entrevistados foi de 40 anos. Após a análise dos resultados, não foi encontrada relação entre os anos do ciclista, quilômetros anuais treinados e sintomas e desconforto após a corrida e disfunção erétil. Se houve uma leve disfunção erétil maior que na população geral e relacionada ao peso e à idade.

Como prevenir a impotência causada pela bicicleta?

Apesar da controvérsia, o que está claro é que é melhor prevenir e tomar uma série de medidas para evitar os problemas de ereção. Antes de qualquer coisa, devemos definir quais são os nossos objetivos na bicicleta, que é a posição que melhor se adapta às nossas condições e a mais eficaz, com menos trauma para a área, bem como conhecer a anatomia da nossa pélvis.

O aconselhável é se colocar nas mãos de um especialista que determine qual é a nossa melhor posição na motocicleta. Existem alguns medidores chamados de asômetros que medem a distância entre as tuberosidades isquiáticas que são os pontos de apoio de nossa pélvis e nos ajudam a conhecer a largura da sela que irá melhorar.

Há também a opção das chamadas selas antiprostáticas, que evitam traumas diretos na região perineal, mas devem sempre adaptar-se à nossa posição para não perder a eficácia na pedalada. Também é importante, em corridas longas, levantar-se da bicicleta a cada x km para soltar a área perineal e, a qualquer sinal de alarme, ir a um especialista para evitar grandes problemas a longo prazo.

Mas este não é um problema só de homens não é qualquer estudo que foi determinada em 34% de dormência perineal em mulheres. De qualquer forma a disfunção erétil bicicleta não se trata de abandonar o ciclismo, mas de adotar uma série de medidas preventivas, realizar um bom estudo biomecânico da nossa posição sobre ela e como na vida os excessos não são bons, espaçar nossas longas viagens de bicicleta e antes de acontecer até mesmo o menor sintoma aparecer ir a um urologista.

Disfunção erétil bicicleta – evite a impotência por ciclismo
5 (100%) 2 voto[s]